Diversifique, com moderação

maio 18, 2017

Antes de começar a investir, você precisa constituir uma Reserva para Emergências, que protegerá sua família contra os inúmeros imprevistos que acontecem o longo de nossas vidas.

Se você é autônomo, sabe que os seus rendimentos variam ao longo do tempo. Há meses em que você trabalhará mais e ganhará um bom dinheiro, mas há meses em que, por diversos motivos, você ganhará menos.

Se você é empregado de uma empresa privada, por outro lado, sabe que o risco de ser demitido é real e que, de uma hora para a outra, pode ficar sem o seu sustento.

Mesmo os servidores públicos, que gozam de relativa segurança e raramente são demitidos, devem se preocupar com o futuro. Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul, que começaram a atrasar os salários de servidores e aposentados, são exemplos de que nem mesmo os servidores públicos podem se dar ao luxo de não ter um colchão de segurança.

Além disso, seja na iniciativa privada ou no serviço público, temos que considerar diversos eventos que podem impactar nossa vida, bons e ruins, como um acidente de trânsito, uma doença repentina ou mesmo o inesperado aumento de nossas famílias, com a chegada de um novo bebê.

Imagine, por exemplo, que você invista todas as suas economias na Bolsa de Valores e que, de uma hora para a outra, haja uma queda de 30% no valor de suas ações. Um investidor precavido, sabe que essa queda é passageira e que logo recuperará o dinheiro perdido. Um investidor que arriscou tudo, porém, entrará em desespero, porque, se precisar usar o dinheiro investido para cobrir alguma despesa extraordinária, amargará um prejuízo de no mínimo 30%.

Em todo o caso, o que quero dizer é que, antes de investir, você deve separar o dinheiro que você precisará usar caso algum imprevisto aconteça (na publicação Reserva para Emergências, você encontrará algumas dicas para a formação de seu colchão de segurança).

Depois de constituir sua Reserva para Emergências, porém, você deve começar a se preocupar com a diversificação de seus investimentos.


Afinal, diversificando suas aplicações, você reduz substancialmente o risco de perder suas economias.

Suponha, por exemplo, que você só invista em ações e que todas as suas economias estejam aplicadas em ações da Petrobras, uma empresa com tecnologia de ponta e que domina a exploração de petróleo do Brasil. Como você se sentiria ao ver que o preço de suas ações despencou de R$ 23,36, em agosto de 2014, para R$ 4,46, em fevereiro de 2016? Uma queda de míseros 81%…

Como você se sentiria se, em fevereiro de 2016, precisasse resgatar parte do dinheiro investido, em 2014, em uma das maiores empresas do país?

Pois é, mesmo as empresas mais sólidas podem apresentar problemas e eventualmente quebrar.

A Vale, queridinha dos investidores, também passou por um sufoco quando uma das barragens de sua subsidiária, a Samarco, rompeu em novembro de 2015, justamente em um momento em que a estabilidade econômica e política do país estava em cheque.

Por outro lado, suponha que você só invista em ações e que tenha investido em uma carteira diversificada. No mesmo período analisado (agosto de 2014 a fevereiro de 2016), a carteira teórica de ações que acompanha o Ibovespa desvalorizou apenas 24% (contra os 81% da Petrobras). Aposto que você estaria muito mais tranquilo.

Então, se, em agosto de 2014, você tivesse investido metade do seu patrimônio em renda fixa e metade em renda variável, quanto de prejuízo você teria acumulado até fevereiro de 2016? Quase nada: teria amargado um prejuízo de apenas 3% e estaria dormindo como um bebê.

É, acho que você já entendeu o porquê de diversificar suas aplicações.

Por isso, está na hora de entender que existem dois níveis de diversificação.

No primeiro nível, diversifica-se o patrimônio entre mercados diferentes, que não serão impactados pelos mesmos fatores.

Trabalhamos aqui no blog com aplicações em renda fixa, renda variável e imóveis, mas existem outros investimentos que podem ser levados em consideração pelo investidor, como aplicações em moedas estrangeiras e em um negócio próprio.

E é justamente nesses mercados que você deve dividir suas economias.

Há algum tempo, ao responder a pergunta de uma leitora sobre como dividir seu patrimônio entre a renda fixa e a renda variável (clique aqui para conferir a resposta), citei o seguinte exemplo, que resume com perfeição o que denomino como primeiro nível de diversificação:

Investidor 1) Em janeiro de 2007, João aplicou R$ 100.000,00 em títulos de renda fixa, que lhe renderiam 100% da taxa CDI. Ao final de 2007, seu patrimônio era de cerca de R$ 111.800,00. No fim de 2008, seu patrimônio era de aproximadamente R$ 125.600,00. Em dezembro de 2009, seu patrimônio era de pouco mais de R$ 138.000,00 (um ganho de 38%, portanto).

Investidor 2) Em janeiro de 2007, José aplicou R$ 100.000,00 em ações da bolsa brasileira. Ao final de 2007, seu patrimônio era de cerca de R$ 143.500,00 (ótimo, não?). No fim de 2008, seu patrimônio era de aproximadamente R$ 84.400,00 (eita!). Em dezembro de 2009, seu patrimônio era de pouco mais de R$ 154.000,00 (ufa!).

Investidor 3) Em janeiro de 2007, Mário aplicou R$ 50.000,00 em títulos de renda fixa e R$ 50.000,00 em ações da bolsa brasileira. Ao final de 2007, seu patrimônio era de cerca de R$ 127.700,00, quando José vendeu algumas ações e comprou títulos de renda fixa. No fim de 2008, seu patrimônio era de aproximadamente R$ 109.311,00, quando José vendeu alguns títulos e comprou mais ações, aproveitando que estavam muito baratas. Em dezembro de 2009, seu patrimônio era de quase R$ 160.000,00.

Por outro lado, no segundo nível de diversificação, adotam-se opções diferentes dentro de um mesmo mercado.

Na renda fixa, por exemplo, você pode dividir suas aplicações entre a poupança, CDBs, LCIs, LCAs e Títulos Públicos, e escolher entre títulos atrelados à taxa Selic, a uma taxa de juros pré-fixada ou ao IPCA.

Na renda variável, você não deve colocar todas as suas fichas em determinada empresa.

Preferencialmente, invista em empresas de setores diferentes, expostas a riscos diferentes.

Em 2012, por exemplo, uma medida desastrosa de Dilma Rousseff, a pior presidente de nossa história recente, derreteu as cotações das empresas do setor de energia elétrica, ao mesmo tempo em que não impactou outros setores da bolsa brasileira.

Por fim, no que diz respeito aos imóveis, a sua diversificação é um pouco mais difícil, devido a seu alto valor. Se você decidir comprar um apartamento para alugar, por exemplo, não terá jeito: terá apenas um imóvel e ponto final, sem diversificação.

No entanto, você sempre pode optar pelos Fundos de Investimento Imobiliário, que são negociados como ações e funcionam como condomínios, em que os investidores recebem mensalmente os alugueis pagos pelos inquilinos do fundo.

Ah, e não posso esquecer de mencionar isso! Afinal, está no título dessa publicação.

Diversifique, com moderação.

Se seu capital é pequeno e você tem apenas R$ 10.000,00 investidos em ações, por exemplo, talvez não seja a hora de diversificar seus ativos.

Os custos provavelmente não compensarão a segurança gerada e, como você está começando a entender como funciona o mercado de ações, o acompanhamento de várias cotações e gráficos pode deixar você confuso.

A partir do momento em que você tiver, digamos, R$ 30.000,00 investidos em ações, você pode começar a dividir seu capital, entre duas empresas diferentes, aplicando em cada uma R$ 15.000,00.

Em todo o caso, sugiro não acumular mais do que 7 ou 8 ativos diferentes dentro de um mesmo mercado, já que você certamente não conseguirá acompanhar todas as empresas e fundos no qual investiu.

O controle de dividendos/rendimentos será difícil e a sua declaração de ajuste anual será gigantesca.


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