General Shopping (GSHP3)

março 08, 2018

Desde que fundei o blog Fazendo as Contas, há mais de dois anos, nunca dediquei uma publicação a determinada empresa ou a determinada ação.

A General Shopping (GSHP3), no entanto, me intrigava...


Com 15 shoppings sob administração e 4 Outlets, os múltiplos dessa empresa estavam muito bons:

Preço/Lucro – 1,27
Preço/Valor Patrimonial – 0,26
Rentabilidade sobre o Patrimônio Líquido - 20,5%

Afinal, considerando-se um P/L de 1,27, em menos de 18 meses eu teria recuperado meu investimento, que seria extremamente seguro, devo dizer, já que, para cada real investido, teria direito a quase R$ 4,00 do Patrimônio Líquido da General Shopping. Como a companhia possuía uma rentabilidade sobre o patrimônio líquido superior a dos bancos, nada poderia dar errado...

Para fins de comparação, pode-se registrar que a Iguatemi e a Aliansce, que também atuam no setor de shopping centers, possuíam, no mesmo período, múltiplos nada animadores:

Iguatemi (IGTA3)
Preço/Lucro – 30,28
Preço/Valor Patrimonial – 2,33
Rentabilidade sobre o Patrimônio Líquido – 7,71%

Iguatemi (IGTA3)
Preço/Lucro – 37,87
Preço/Valor Patrimonial – 1,45
Rentabilidade sobre o Patrimônio Líquido – 3,83%

Diante dessa enorme diferença, dentro de um mesmo setor, decidi procurar mais informações.

Descobri que, apesar de suas receitas serem contabilizadas em reais, oriundas da administração de seus shoppings e outlets, a maior parte da dívida da General Shopping está vinculada à variação do dólar, isto é, os recursos para a construção e aquisição de seus empreendimentos foram obtidos no exterior.

Pensei então: tudo bem, uma grande dívida em dólar pode ser administrada, mediante a adoção de instrumentos de proteção cambial (hedge)… Um dia, a dívida estará quitada e os lucros serão sensacionais…

Já falamos em outro artigo (clique aqui para conferir) que, embora as empresas do setor de consumo não estejam sujeitas a grandes variações de receita com a valorização da moeda americana, podem ser bastante impactadas devido à existência de dívidas em moeda estrangeira, que podem, evidentemente, ser administradas.

No caso da General Shopping, porém, temo que não será tão fácil administrar sua enorme alavancagem…

Analisando as demonstrações contábeis da companhia, verifiquei que a General Shopping possuía em 2017 uma dívida de mais de R$ 1,3 bilhão, sendo R$ 550 milhões representados por títulos de crédito perpétuo em dólares, remunerados a taxa de 10% ao ano, e R$ 515 milhões representados por títulos de crédito perpétuo em dólares, remunerados a taxa de 13% ao ano.

Quem não gostaria de ser credor da empresa? Receberia juros de país subdesenvolvido em uma moeda forte como o dólar. Ou melhor, receberia para sempre (são títulos de crédito perpétuo!).

Mesmo as dívidas contraídas em reais, contudo, são, digamos, não usuais. Um empréstimo com o BNDES, por exemplo, foi feito com base na “taxa Selic + 6,8% a.a.”, três vezes mais que a TJLP (é, a General Shopping tem que aprender a negociar seus empréstimos).

Em conclusão, mesmo com ativos sólidos, observei que a General Shopping encontra-se muito alavancada, com uma dívida nada saudável.

Por isso, como investidor conservador, decidi não arriscar na empresa.


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